Não sei o que eu sinto e ultimamente não faço mais questão de saber. Cansei de tentar procurar respostas pra intermináveis perguntas, cansei de tentar definir o indefinido e cansei de ir atrás do que só corre de mim. O jeito agora é não saber e se contentar com isso. Porque às vezes a gente se importa tanto em interpretar a letra, que acabamos esquecendo de dançar a música.
Eu sou uma eterna apaixonada por palavras. Música. E pessoas inteiras. Não me importa seu sobrenome, onde você nasceu, quanto carrega no bolso. Pessoas vazias são chatas e me dão sono. Gosto de quem mete a cara, arrisca o verso, desafia a vida. Eu sou criança. E vou crescer assim. Gosto de abraçar apertado, sentir alegria inteira, inventar mundos, inventar amores. O simples me faz rir, o complicado me aborrece.
Quando você não esperar vai doer e eu sei como vai doer e vai passar como passou por mim e fazer com que se sinta assim, como eu sinto, como eu vejo, como eu vivo, como eu não canso de tentar. Eu sei que vai ouvir, eu sei que vai lembrar, vai rezar pra esquecer, vai pedir pra esquecer, mas eu não vou deixar.
Quando o sol bater na janela do teu quarto, lembra e vê que o caminho é um só, porque esperar, se podemos começar tudo de novo? Agora mesmo. A humanidade é desumana, mas ainda temos chance, o sol nasce pra todos, só não sabe quem não quer. Quando o sol bater na janela do teu quarto, lembra e vê que o caminho é um só. Até bem pouco tempo atrás, poderíamos mudar o mundo, quem roubou nossa coragem? Tudo é dor, e toda dor vem do desejo, de não sentimos dor. Quando o sol bater na janela do teu quarto, lembra e vê que o caminho é um só.
Hoje ela veio me dizer que eu sou um bruto, uma pessoa sem coração, tão pouco ela lembra que foi por causa de seu desprezo que eu me tornei essa pessoa fria, bruta, ” sem coração ” como ela mesmo disse, ela não sabe as noites que eu passei chorando porque vi ela com outra pessoa. Eu não sou uma pessoa sem coração, eu simplesmente me tornei, e foi por causa dela.
O problema é que as pessoas dizem “eu te amo” mas esquecem daquele bilhetinho de “bom dia”, daquela mensagem de “boa noite, estou com saudade”, esquecem de perguntar se você está bem, assim sabe, só por perguntar mesmo. Esquecem do abraço sem pretexto, do presente fora de época, esquecem de dar atenção nos detalhes e isso, faz com que esse “eu te amo” perca o valor. Por que o amor não se alimenta de palavras, se alimenta de atitudes.
O homem tendo que atender a tantas coisas que inventou, secretamente pergunta a si mesmo se valeria a pena tê-las inventado, para assim limitar sua liberdade, para assim ter de ficar como um operário vigilante junto a engrenagens que, ao menor descuido o sacrificarão – sentindo, no entanto, que a vida verdadeira não é aquela posição atenta do dever, exclusivo, monótono, mesquinho, mas uma participação nesse sentimento total do universo, nessa gravitação geral em que os acontecimentos libertam seus ritmos na plenitude de seu poder de realização.
É tudo você.
Você é minha cama quando chego do trabalho cansado e meu cobertor quando estou com frio. É o meu banho quente pra esfriar a cabeça, é a risada de piada sem graça, é as flores que rego ao amanhecer, é o sol que embaça minha vista. Você é o vento de maio, é o verão no inverno, a flor que brota no asfalto. É a pintura de Da Vinci, o poema de Drummond, é o sorriso de Caetano e a voz da paixão. É o nada no meu tudo que faz falta quando tenho meio, e o meio na minha falta no tudo de um pouco nada. É meu choro, é meu riso, é o motivo da aceleração no meu peito. É o barulho dos gatos no telhado, e o canto do pássaro preso na gaiola. Você é o verso mal escrito, a rima de dor com amor. É o poema sem fim de um poeta sem inspiração. Você sou eu quando não estou em mim, e você nos meus olhos quando te vejo sorrindo ao vento. Você é o céu com dentes de nuvens, e o brotinho que nasce no algodão do menino. Você é os velhinhos sentados na praça, e as rugas de experiências no rosto, e também a jogada certeira do xeque mate no jogo. Você é a chuva que deixa de cair no sertão pra cair na cidade, é a pobreza nos olhos famintos de um menino de rua, é a paisagem de concreto que tampa a visão das montanhas e é a mulher que acorda às 5h pra conquistar o seu lugar. Você é Atenas, a constelação mais brilhante. O brilho de uma estrela cadente, e uma nebuloso a mil anos luz da terra. É o ser feito de barro, moldado torto e feio. É o amor escondido nas pedras de um coração de pedreiro. Você é o poder, o medo, o egoísmo. Você é tudo, e o tudo é você. Não há definição, nem explicação. Você é o Amor.
A tristeza pra mim sempre foi um sentimento de rotina, sorrir era sempre algo mecânico, mesmo sem graça, sem felicidade eu sorria por tudo e pra todos… Não é isso que mandam fazer? Sorrir sempre? Pois é, mas sabe de uma coisa, depois de fazer dos sorrisos algo tão escasso de felicidade, raramente sei distinguir quando realmente são verdadeiros. E isso só me ajudou a ter a certeza de que sorrir é a coisa mais fácil do mundo, e que o difícil mesmo é ser feliz.




